Fonoaudiologia

Atraso na fala: quando levar a criança ao fonoaudiólogo

"Cada criança tem seu tempo" vale só até certo ponto. Veja o que é esperado na fala de 1 a 5 anos, os sinais de alerta e como a fonoaudiologia ajuda.

MPor Equipe Policlínica MVS 26 de outubro de 2026 4 min de leitura
Fonoaudióloga brinca com uma criança pequena fazendo movimentos com a boca enquanto a mãe acompanha sorrindo
Neste artigo
  1. Fala e linguagem não são a mesma coisa
  2. O que é esperado em cada idade
  3. Sinais de alerta: quando procurar o fonoaudiólogo
  4. Possíveis causas do atraso
  5. Como funciona a terapia fonoaudiológica
  6. O que fazer em casa a partir de hoje
  7. Fonoaudiologia na Policlínica MVS

“Ele é homem, menino fala mais tarde.” “O irmão mais velho fala por ele.” “Cada criança tem seu tempo.” Quem tem um filho que demora a falar já ouviu essas frases muitas vezes. É verdade que existe uma variação normal entre as crianças, mas também existem marcos esperados para cada idade. Quando eles não aparecem, esperar demais pode fazer a criança perder uma fase preciosa de desenvolvimento.

Neste artigo, mostramos o que costuma ser esperado em cada idade, os sinais que merecem atenção e como a fonoaudiologia pode ajudar.

Fala e linguagem não são a mesma coisa

A fala é a produção dos sons: articular o “r”, o “l”, o “s”. A linguagem é mais ampla: entender o que os outros dizem, ter vocabulário, juntar palavras em frases, contar o que aconteceu, usar a comunicação para pedir, comentar e interagir. Uma criança pode trocar letras e ter ótima linguagem, ou falar sem trocas e ter dificuldade para se comunicar. O fonoaudiólogo avalia as duas coisas.

O que é esperado em cada idade

As idades abaixo são referências aproximadas. Pequenas diferenças são normais; o que preocupa é quando a criança está bem distante do esperado ou para de evoluir.

Por volta de 1 ano

  • Balbucia sílabas repetidas (“mamama”, “dadada”).
  • Atende quando é chamada pelo nome.
  • Entende palavras simples, como “não”, “tchau” e o nome dos pais.
  • Fala as primeiras palavras, mesmo que não muito claras.

Por volta de 2 anos

  • Tem um vocabulário de dezenas de palavras, que cresce rapidamente.
  • Junta duas palavras (“qué água”, “papai foi”).
  • Entende ordens simples (“pega o sapato”).
  • Aponta figuras quando você pergunta “cadê o cachorro?”.

Por volta de 3 anos

  • Forma frases de três ou mais palavras.
  • Faz perguntas (“o que é isso?”, “cadê?”).
  • É compreendida pela maior parte das pessoas da família.

De 4 a 5 anos

  • Conta pequenas histórias e o que aconteceu na escola.
  • Fala de forma compreensível também para pessoas de fora da família.
  • Usa a maioria dos sons corretamente. Alguns, como o “r” vibrante e os encontros (“pr”, “bl”), podem se completar até por volta dos 5 ou 6 anos.
  • Não balbucia aos 12 meses ou não fala nenhuma palavra por volta dos 18 meses.
  • Não junta duas palavras aos 2 anos.
  • Aos 3 anos, quase ninguém entende o que ela fala.
  • Perde palavras que já usava.
  • Parece não entender o que você fala ou não segue ordens simples.
  • Usa pouco gestos como apontar ou dar tchau.
  • Gagueja com frequência, com tensão no rosto ou sofrimento ao falar.
  • Respira pela boca, baba muito depois dos 2 anos ou tem dificuldade para mastigar.

Se você percebe algum desses sinais, a recomendação é procurar avaliação agora, e não “no ano que vem”.

Possíveis causas do atraso

O atraso de fala pode ter causas diferentes, e descobrir qual é faz parte da avaliação:

  • Perda auditiva, inclusive temporária, por otites de repetição. Por isso, um exame de audição costuma ser pedido.
  • Transtorno do desenvolvimento da linguagem, quando a dificuldade é específica da linguagem.
  • Transtorno do Espectro Autista, em que o atraso vem junto com dificuldades de interação. Leia sobre os sinais de autismo na infância.
  • Pouca estimulação, por exemplo, excesso de telas e poucas conversas e brincadeiras.
  • Alterações na musculatura da boca, na respiração ou na deglutição.

Como funciona a terapia fonoaudiológica

A avaliação inclui conversa com a família, observação da criança brincando e atividades específicas para linguagem, fala e motricidade oral. A partir daí, o fonoaudiólogo monta um plano com objetivos para cada fase.

Na terapia infantil, quase tudo acontece brincando: com livros, jogos, músicas, bonecos e situações do dia a dia. E os pais recebem orientações para continuar o estímulo em casa, que é onde a criança passa a maior parte do tempo.

O que fazer em casa a partir de hoje

  1. Converse o tempo todo: narre o que você está fazendo (“agora vamos lavar a mão, a água está gelada!”).
  2. Fique na altura da criança e olhe para ela quando falar.
  3. Dê tempo para ela responder. Evite adivinhar tudo antes de ela tentar pedir.
  4. Amplie o que ela diz: se ela fala “bola”, responda “a bola azul!”.
  5. Leia junto todos os dias, apontando as figuras e fazendo os sons dos bichos.
  6. Diminua as telas, principalmente antes dos 2 anos, e troque por brincadeira com gente.

Fonoaudiologia na Policlínica MVS

Na Policlínica MVS, no Tatuapé, em São Paulo, a equipe de fonoaudiologia atende crianças e adultos, com avaliação completa e terapia feita de forma lúdica e acolhedora. Quando necessário, a fono trabalha junto com a psicologia, a terapia ABA e a psicopedagogia, no mesmo espaço.

Atendemos por diversos convênios e trabalhamos com reembolso. Se o seu filho está demorando para falar, fale com a gente e agende uma avaliação.

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Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de dúvida sobre o seu caso, procure atendimento.