Neste artigo
Quando a criança recebe o diagnóstico de autismo, uma sigla aparece logo nas primeiras conversas: ABA. Ela vem da expressão em inglês Applied Behavior Analysis, ou Análise do Comportamento Aplicada. É a abordagem com o maior número de estudos científicos sobre eficácia no Transtorno do Espectro Autista (TEA) e, por isso, costuma ser a primeira indicação dos médicos.
Mas, na prática, o que acontece numa sessão? É só repetição? A criança vai ficar “treinada”? Neste artigo, respondemos às dúvidas mais comuns das famílias.
O que é a terapia ABA
A ABA é uma ciência que estuda como aprendemos e por que repetimos determinados comportamentos. Na terapia, esse conhecimento é usado para ensinar habilidades importantes para a vida da criança, como se comunicar, brincar, esperar a vez, se vestir ou ir ao banheiro, e para diminuir comportamentos que atrapalham o dia a dia ou trazem risco, como crises intensas e autoagressão.
O princípio é simples: quando um comportamento é seguido de algo bom para a pessoa, a tendência é que ele se repita. O terapeuta organiza as situações para que a criança tenha muitas oportunidades de acertar e seja reforçada por isso, com elogios, brincadeiras e objetos de que ela gosta.
Para quem a ABA é indicada
A ABA é mais conhecida no tratamento do autismo, em todas as idades e níveis de suporte. Também pode ajudar crianças com:
- atraso global do desenvolvimento;
- deficiência intelectual;
- TDAH e dificuldades de comportamento;
- atrasos de linguagem associados a dificuldades de interação.
Quem indica a terapia, e com que intensidade, é o médico em conjunto com a equipe, a partir da avaliação de cada criança.
Como funciona na prática
- Avaliação inicial: o terapeuta observa a criança, conversa com a família e aplica protocolos que mostram o que ela já faz sozinha, o que faz com ajuda e o que ainda não faz.
- Plano de intervenção individualizado: com base na avaliação, são definidos objetivos claros e mensuráveis. Por exemplo: “pedir água usando uma palavra ou um gesto” ou “permanecer sentado 5 minutos numa atividade de mesa”.
- Sessões estruturadas e lúdicas: parte do trabalho acontece na mesa, com atividades bem organizadas, e parte no chão, no brincar, seguindo o interesse da criança.
- Registro dos dados: o terapeuta anota o desempenho em cada objetivo. Isso permite ver a evolução de verdade e ajustar o plano sempre que necessário.
- Generalização: o objetivo é que a criança use o que aprendeu em casa, na escola e com outras pessoas, e não apenas no consultório.
ABA não é “adestramento”
Essa é uma preocupação comum, e é legítima. A ABA moderna é centrada na criança: respeita o ritmo, as preferências e o bem-estar dela. O foco não é deixar a criança “parecida com as outras”, e sim dar ferramentas para que ela se comunique, tenha autonomia e participe da vida em família e na escola com mais tranquilidade.
Uma boa sessão é, na maior parte do tempo, divertida. Se a criança vai para a terapia com vontade, é um ótimo sinal.
Quanto tempo leva para ver resultados
Depende de cada criança, da idade em que começou, da intensidade das sessões e da participação da família. Algumas conquistas aparecem nas primeiras semanas, como aceitar melhor a rotina ou usar um gesto para pedir algo. Outras, como desenvolver a fala ou brincar com outras crianças, são construídas ao longo de meses.
O mais importante é que, como tudo é registrado, a família consegue acompanhar a evolução com dados, e não apenas com impressões.
O papel da família
A criança passa algumas horas por semana com o terapeuta e todo o resto do tempo com a família. Por isso, a orientação aos pais é parte essencial da ABA. Os pais aprendem a:
- criar oportunidades de comunicação no dia a dia;
- reforçar os comportamentos que querem ver mais vezes;
- agir de forma mais segura durante as crises;
- manter uma rotina previsível, que traz segurança para a criança.
A escola também pode ser envolvida, com orientações para professores e auxiliares.
ABA junto com outras terapias
A ABA costuma funcionar melhor quando conversa com outras áreas. A fonoaudiologia trabalha a linguagem e a comunicação; a psicopedagogia apoia a aprendizagem escolar; a nutrição ajuda nos casos de seletividade alimentar, muito frequente no autismo. Quando os profissionais trabalham juntos, os objetivos se reforçam.
Plano de saúde cobre a terapia ABA?
Desde julho de 2022, a ANS determinou que os planos de saúde devem cobrir os métodos ou técnicas indicados pelo médico para o tratamento do TEA, incluindo a ABA, sem limite de número de sessões. Na prática, cada operadora tem a sua rede credenciada e as suas regras de autorização, então vale verificar com o plano.
Terapia ABA na Policlínica MVS
Na Policlínica MVS, no Tatuapé, a terapia ABA é feita com planejamento individual, registro de evolução e orientação constante à família. Como temos psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia e nutrição no mesmo espaço, a equipe consegue alinhar os objetivos de cada criança.
Atendemos por diversos convênios e trabalhamos com reembolso. Fale com a nossa equipe para tirar dúvidas e agendar uma avaliação.
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